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O Fim do Cristianismo ou o Começo?

O ministério de Jesus foi grandioso! Basta lermos algumas partes dos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) para percebermos uma trajetória meteórica que Jesus realiza do anonimato a principal inimigo público nacional de Israel. De várias aldeias do interior do país, apareciam notícias sobre um novo mestre que estava a revolucionar as coisas. Caminhamos nos evangelhos entre milagres, polêmicas, confrontos, salvação, ensinamentos e explicações que acabam por nos revelar aqui e ali a fabulosa pessoa de Jesus. As pessoas eram tocadas pelos seus ensinos, pela sua compaixão, pela sua simplicidade e por tantas outras qualidades. Quanto mais capítulos avançamos nos evangelhos, Jesus torna-se mais popular, conhecido e apreciado pelo povo que começava a encher-se de esperança e a lembrar-se das antigas profecias sobre o Messias que viria. É com este entusiasmo que Jesus é recebido pelo povo em Jerusalém, a entrada triunfal[1]em Jerusalém mostra este clímax em que o povo aclama a Jesus como Rei de Israel[2]. Os próximos capítulos dos evangelhos daqui por diante de forma chocante mostram a dura jornada de sofrimento de Jesus rumo a crucificação e a morte. A mudança é tão rápida e inesperada nos Evangelhos que os discípulos de Jesus ficaram desorientados e chocados com os acontecimentos. Quando tudo parecia ter acabado, Jesus ressuscita depois de três dias e aparece aos seus. Se a história do cristianismo terminasse com a ressurreição de Jesus, seria um grande final! Mas ao invés de despedidas e um desfecho, Jesus no final dos Evangelhos comissiona e envia os seus discípulos a um novo momento do cristianismo que começaria no Pentecostes.    

 

Em Belém, os discípulos conheceram o Deus com eles,que se tornou como eles[3], no Calvário conheceram o Deus que era por elesmorrendo por seus pecados, mas no Pentecostes conheceram o Deus que habitava neles e os capacitava. O início do livro de Atos deixa claro que a morte e ressurreição de Jesus não eram o fim do cristianismo, mas os preparativos para o verdadeiro começo da fé cristã que seria e será pregada a toda criatura e a todas as nações. São essas três formas de conhecer e vivenciar a Deus que são as bases do que os apóstolos chamavam de ‘igreja’ nas páginas do Novo Testamento. A igreja formada de pessoas que vivenciavam o Deus com eles, por eles e que habitava neles, brilhava a luz de Deus ao mundo trazendo transformações e mudanças nas mais diversas áreas por onde passavam (pessoal, familiar, comunitária, social, espiritual). Desde aqueles primeiros dias em Jerusalém até hoje, o desafio de conhecer a Deus nestas três perspetivas tem sido o motivo pelo qual ao redor do mundo ouvimos histórias de avivamentos e maravilhas pelo nome de Jesus. Através de um grande despertar de pessoas comuns que capacitadas pelo Espírito de Deus realizaram grandes obras. 

 

Enquanto os líderes judeus comemoravam o fim do movimento cristão após Jesus morrer na cruz, mal sabiam que na verdade sua morte era apenas o começo. Em meio a uma Europa secularizada, onde muitos pensam que Deus está morto-nosou que o cristianismo morreu, precisamos resgatar a poderosa experiência do Pentecostes que demonstrará que ainda hoje Deus está vivo entre nós, por nós e habitando em nós. Como cristãos deveríamos ser a resposta para o mundo desesperançado que se pergunta: Aonde está Deus? Em meio as trevas do ceticismo, somos nós os cristãos, chamados por Jesus para sermos ‘luz no mundo’. Luz essa, que brilhará em nós na mesma medida em que vivenciarmos este Deus que habita em nós. Vivamos o Pentecoste.


[1]Mt.21:1-11; Mc.11:1-11; Lc.19:28-40; Jo.12:12-19

[2]Zc. 9:9-10

[3]Mt.1; Lc.2

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